
Atravessando Fronteiras – Maria Amália Vaz de Carvalho
Livro da Semana
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A leitura das crônicas que Maria Amália Vaz de Carvalho publicou no matutino carioca O Paiz, entre 1884 e 1889, permite regressar ao convívio de uma escritora portuguesa que uniu interesses muito variados e uma visão culta às grandes questões da atualidade, nomeadamente aquelas que tocavam o estatuto da mulher, acidulado pelas ideias modernas de emancipação e democracia.
Como Atravessando Fronteiras: Maria Amália Vaz de Carvalho e a Condição Feminina bem esclarece, os escritos jornalísticos da literata portuguesa manifestam a tensão própria da passagem dos costumes tradicionais, que não enjeita, para o seu debate no novo espaço público, com as distâncias encurtadas pela velocidade a vapor, a rotina elidida pelo telégrafo, a pólis tecida por periódicos e o foro comum atingido pelas novidades que aproximaram europeus e americanos.
Se a singeleza na interpretação de qualquer documento prima pela credulidade, como as autoras, especialistas na circulação das letras, recordam, só a problematização historiográfica, que exercitam metodicamente, faculta a compreensão e a fruição da eloquência da palavra feminina então publicada.
Além de fundamental, este é um estudo particularmente pertinente, já que converge com os resultados do projeto, é preciso falar sobre as ausentes: a colaboração feminina no jornal O Paiz, resultante de parceria acadêmica entre a University College London (UCL), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). A pesquisa reuniu crônicas de quatro colaboradoras do cotidiano, entre as quais as de Maria Amália Vaz de Carvalho, cuja colaboração no jornal brasileiro é analisada no presente volume. [Professor Doutor Luís Manuel Crespo de Andrade – Universidade Nova de Lisboa]
A TV Antes do VT: Teleteatro ao Vivo na TV Tupi de São Paulo (1950-1960)
R$ 352,00Aos poucos, vai cedendo o preconceito que, durante tantos anos, impediu-nos de nos dedicar a estudos mais aprofundados sobre a televisão brasileira – seja do ponto de vista de sua relação com as artes e com a produção artística, nacional e estrangeira, seja do ponto de vista de sua própria relevância como fenômeno artístico e cultural. […] Esse tipo de fantasia ou de esquema facilitador, alimentou, durante anos, a ficção derivada de que a história da televisão no Brasil serviria, na melhor das hipóteses, apenas a quem estivesse interessado em vasculhar a indigência mental dos brasileiros ou a quem, em linha semelhante, estivesse interessado em estudar a irrelevância estética, artística e cultural de nossos canais – exemplos sempre negativos, antimodelos da inovação e da criatividade.
Eis aqui, neste livro, um vasto, rico e farto material que, felizmente, ajuda a derrubar esses equívocos. A televisão e a produção ficcional televisiva, em nosso país, sempre foram extremamente sofisticadas e absorveram, continuamente, os melhores quadros do nosso ambiente cinematográfico e teatral. […] Nada pode negar, entretanto, o fato de que a televisão brasileira produziu não apenas obras que compõem nosso imaginário coletivo de maneira indelével, mas que tiveram também grande qualidade dramatúrgica, documental e jornalística. [Juca Ferreira]
Os Maias – 3a. ed.
O que se faz ao longo dos dezoito capítulos deste romance de Eça é a dissecação da sociedade portuguesa de sua época, que ele se esmera em expor para apontar os males e a degeneração. Veem-se assim, no grande quadro social anatomizado pelo realismo de Eça de Queirós: o clero e a sua influência danosa ao pensamento e modo de vida portugueses; as moléstias sociais das média e alta burguesias lisboetas, com seus inúmeros e desastrosos casos de adultério; os ambientes literários e políticos, sua corrupção e tacanhice intelectual. Se é fato que a ironia é um dos grandes trunfos para a grandeza da escrita queirosiana, em Os Maias ela serve como potencializadora da tarefa trágica e também tão irônica do Destino. Talvez isso explique em parte a força de um romance, que, mais de um século depois de sua primeira publicação, é ainda capaz de atrair tantos leitores e de criar tamanho interesse, a ponto de inspirar a realização de uma minissérie pela televisão brasileira, que, diga-se de passagem, já terá sido válida se for capaz de instigar-nos à revisitação da obra maior de um dos mais consagrados escritores da literatura portuguesa. [Thelma Guedes]
Arquétipos Literários, Os – 3a ed. 1a reimp.
R$ 78,00Dos mitos ao século XXI, passando pela literatura de todos os tempos, o homem sempre precisou construir histórias para atribuir sentido ao mundo. Nelas, é possível verificar certos elementos comuns, pertencentes ao inconsciente coletivo. O mitólogo e semioticista russo Eleazar Meletínski analisa neste livro os arquétipos, unidades primeiras da narrativa universal. Por meio dessa reflexão, o autor discute alguns conceitos de Freud e polemiza com outros estudiosos do assunto.
Tradução: Aurora F. Bernardini, Homero Freitas de Andrade e Arlete Cavaliere


















