
Cinema em A Paixão Segundo G.H., O
“Vai acontecer o amor de duas baratas”, diz G.H.
As vozes reunidas neste livro também estão procurando, estão tentando entender. Depois de tantos desmoronamentos – íntimos e históricos, solitários e coletivos -, restam mãos estendidas para os escombros e ouvidos à escuta da sobreposição de encontros: entre um livro e um filme, entre a palavra e a imagem, entre uma escritora e um cineasta, entre um diretor e uma atriz, entre uma narradora e uma intérprete.
O amor pelo que vive transfigura o romance A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector, no filme A Paixão Segundo G.H., de Luiz Fernando Carvalho. “Almejo que a literatura seja ainda mais literatura e que o cinema seja ainda mais cinema e que o encontro dessas duas alteridades gere uma terceira coisa”, diz o cineasta.
Perdendo a “terceira perna” para deixar nascer a “terceira coisa”, este livro, O Cinema em A Paixão Segundo G.H., também ele, porta as marcas de uma travessia, de 1964 aos dias atuais, de suas dores e suas alegrias, para ser um chamado a ler o mais difícil: a “atualidade simultânea” entre a criação, a violência que mata e a insistência do vivo. [Flavia Trocoli]
Organização: Ilana Feldman
Projeto Gráfico: Casa Rex
Por um Cinema Popular – Leon Hirszman, Política e Resistência
R$ 96,00Durante o regime militar brasileiro, Leon Hirszman foi um dos principais nomes para a consolidação da resistência cultural. Em busca de um cinema que dialogasse com amplo público, o realizador dirigiu filmes que desnudaram as contradições existentes na ditadura. Que País é Este?, ABC da Greve e Eles Não Usam Black-Tie, obras produzidas entre 1976 e 1981, evidenciam a força de um cineasta que, sem abrir mão do apuro estético, investiu na defesa de um frentismo político em prol da redemocratização do país. Nas páginas deste livro, Hirszman emerge como artista próximo às heranças do Teatro de Arena, como realizador filiado ao comunismo e que procurou a atualização constante de suas práticas de engajamento. Concentrando-se na década de 1970 e no início dos anos 1980, Reinaldo Cardenuto situa Hirszman em relação às questões do período, a exemplo do novo sindicalismo, apresentando o percurso de um artista que encontrou na classe popular a essência de sua criação. Entrar em contato com os filmes do cineasta é perceber que a resistência cultural, em sua pluralidade, possui uma história a ser conhecida no tempo presente.
Capa: Gustavo Piqueira/Casa Rex (Projeto Gráfico) – Francisco Magaldi (Foto)
Velhos Amigos
A publicação de Velhos Amigos é um acontecimento: depois de lançar Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos, um dos mais originais e importantes ensaios sobre a memória individual e coletiva no Brasil, Ecléa Bosi volta ao tema, desta vez em abordagem literária.
Aqui, lembranças reais de velhos operários, imigrantes e outros personagens anônimos da vida brasileira estão organizadas em pequenas narrativas entre o conto, o poema e a crônica, para serem lidas por jovens, crianças, adultos e velhos.
Como diz Adélia Prado na apresentação do livro, “Velhos Amigos bate à porta e o recebemos na cozinha, lugar bom de escutar o guardado na memória do afeto”.
Ilustração: Odilon Moraes
Somente nos Cinemas
1a Edição
1a Reimpressão
Jorge Ialanji Filholini faz uma mistura quase impossível: a literatura, o cinema, a vida – com todos os seus prazeres, dúvidas e dores – e a morte. Temos aqui um escritor cuja crueldade é aterradora. E bela, o que torna tudo ainda mais perigoso. Os contos começam como filmes, apresentam a situação, as personagens e, quando você está distraído, Jorge atira. Para matar. E nada do que você imagina é o que de fato acontece. Não é um livro de contos, é um livro de suspense. Jorge escreve olhando na sua cara, apaga a luz da sala de projeção e o que aparece na tela é a sua alma, que é também a dele, dissolvida nas personagens. Então temos a ficção, que ainda é a melhor parte da realidade. [Fernanda D’Umbra]

















