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Ateliê e Mnēma realizam o lançamento da obra ‘Plínio, O Jovem – Epístolas Completas’, na Livraria da Vila

A Ateliê Editorial, Editora Mnēma e Livraria da Vila realizam o lançamento da obra Plínio, O Jovem – Epístolas Completas, no sábado, 14 de maio, a partir das 17h, na unidade da rua Fradique Coutinho, 915, em Pinheiros, São Paulo. Este livro, Volume Um, contendo as obras I, II e III, em edição bilíngue – Latim/Português -, tem tradução, introdução e notas de João Ângelo Oliva Neto, assim como leitura crítica por Paulo Sérgio de Vasconcellos.

Serão editados mais três volumes, completando a obra: Volume Dois (Livros IV, V e VI), Volume Três (Livros VII, VIII e IX) e Volume Quatro (Livro X). Confira mais no site da Ateliê Editorial (clique aqui).

Os dez livros de epístolas de Plínio, o Jovem (62-c. 114 d.C.) –, que ao lado de Cícero (106-43 a.C.) e Sêneca, o Filósofo (c. 4 a.C.-65 d.C.) foi um dos três grandes epistológrafos da antiga Roma – são como que a crônica diária da vida romana por volta de 100 d.C. no esplendoroso tempo do imperador Trajano.

Nada escapa ao olhar testemunhal de Plínio, o Jovem, nada é estranho ou alheio a suas epístolas: a erupção do Vesúvio, que destruiu cidades e matou Plínio, o Velho, seu tio; as decisões importantes no Senado; o interrogatório de cristãos presos por causa de sua fé; o assassinato de um senhor pelos escravos, mas também a doença de um parente, a educação de um jovem, a opinião de Plínio sobre a qualidade da poesia e da oratória do tempo e princi///palmente o modo extraordinário como descreve (como quem pinta) a beleza de uma região, de um lago, de uma propriedade, de uma estátua.

Nada lhe escapa, nem mesmo a mágoa de não receber mensagens, que registra em bilhetes tão curtos como são hoje os de aplicativo. Os romanos nos legaram magníficos escritores que registraram eventos grandiosos (Cícero, César, Virgílio, Tito Lívio) e legaram igualmente escritores como Plínio, o Jovem, que além de tratar de assuntos maiores, soube, mais do que todos, com muita delicadeza tratar também de assuntos menores e até de coisas pequenas, matéria que nem por isso deixa de importar muito a nosso dia a dia.

Caio Plínio Cecílio Segundo – também conhecido como Plínio, o Jovem, o Moço ou o Novo, foi orador famoso,  jurista, político e governador. Sobrinho-neto de Plínio, o Velho, que o adotou, estava com ele no dia da grande erupção do Vesúvio (79 d.C.), mas não o acompanhou na viagem de barco até o vulcão em erupção que se revelaria mortal. Seus escritos sobre esse dia, no qual Pompeia foi arrasada, são o principal documento escrito que versam a respeito de como sucedeu tal erupção.  As cartas trocadas entre Plínio e o imperador Trajano,  preservadas até os dias de hoje, são consideradas um dos mais valiosos documentos para entender a organização e a vida cotidiana do império romano da época. Nelas, Plínio cita pela primeira vez o cristianismo num documento romano conhecido.

João Ângelo Oliva Neto

Livre-docente em Letras Clássicas desde 2013 pela Universidade de São Paulo, onde obteve o título de Doutor (1999) e Mestre (1993) ambos em Letras Clássicas. Formou-se em Letras (Latim e Grego em 1988, e Inglês e Português em 1982) na Universidade de São Paulo, onde é professor-associado 1 na Graduação em Língua e Literatura Latina e na Pós-Graduação em Letras Clássicas. Atua principalmente nas seguintes linhas de pesquisa: gêneros da poesia antiga, tradução poética do grego e do latim e estudos de história da tradução de poesia greco-latina em português.

Paulo Sérgio de Vasconcellos 

Foi professor de Latim da USP e da Universidade Mackenzie e hoje é professor-colaborador da Unicamp, universidade em que atuou  como docente por mais de trinta anos. Coordena o Grupo de Trabalho Odorico Mendes, que publicou edições comentadas e anotadas de todas as traduções de Virgílio realizadas por esse tradutor maranhense. Entre seus livros, contam-se Efeitos Intertextuais na Eneida de Virgílio, Sintaxe do Período Subordinado Latino Persona Poética e Autor Empírico na Poesia Amorosa Romana.

Plínio, O Jovem

LEIA TRÊS EPÍSTOLAS DO LIVRO

PRAZER DAS LETRAS NO RETIRO

Caio Plínio a Seu Querido Minício Fundano, Saudações

1. É admirável como, quando estamos em Roma conseguimos ou parecemos conseguir fazer o rol de tudo que fizemos em cada dia isolado, mas quando são muitos dias ou quando os tomanos em conjunto, já não conseguimos arrolar. 2. Pois se perguntares a alguém “O que fizeste hoje?”, ele reponderá: “Participei de uma cerimônia da toga viril, assisti a um noivado, a um casamento, fulano me pediu que selasse um testamento, cicrano me quis para acompanhá-lo diante do juiz, beltrano me convocou para uma reunião. 3. As mesmas atividades que parecem necessárias no dia em que as realizamos parecem inúteis se lembrarmos que as realizamos todos os dias e muito mais se nos lembrarmos delas quando estamos em retiro. Então de repente vejo-me a pensar: “Quantos dias gastei em atividades inúteis”.

ELOGIO DO FILÓSOFO EUFRATES

Caio Plínio a Seu Querido Átio Clemente, Saudações

1. Se nossa cidade alguma vez floresceu nos estudos liberais, agora atinge o ponto máximo. 2. Há muitos exemplos notáveis, mas bastaria um, o filósofo Eufrates. Quando ainda jovem eu fazia o serviço militar na Síria, fui conhecê-lo de perto, em sua casa, e penei para ganhar o afeto dele, embora não fosse necessário porque era disponível, aberto e cheio daquela mesma humanidade que ensina. 3. Tomara que, tal como eu tenha correspondido às esperanças que nutriu quanto a mim, assim também tenha ele muito somado às próprias virtudes! Pode ser que agora eu as admire mais porque as compreenda mais. 4. No entanto, nem mesmo agora eu compreendo o bastante, pois, tal como o artífice é que é capaz de julgar o pintor, o entalhador, o escultor, assim também só um filósofo é capaz de entender outro filósofo.

A ODIOSA FALTA DE EPÍSTOLAS

Caio Plínio a Seu Querido Paulino, Saudações

1. Estou furioso, nem sei ao certo se deveria, mas estou furioso. Sabes quão injusto é o amor às vezes, quão sem autocontrole é amiúde, quão melindroso é sempre. Mas este motivo, porém, é grande, não sei se justo; mas eu, como se não fosse motivo menos justo do que grande, estou profundamente furioso, porque de ti há muito tempo já não chega nenhuma epístola.

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