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Creonte e Tirésias, por Beatriz de Paoli

Na edição de Antígona, publicada pela Ateliê Editorial e Editora Mnema, a professora e pesquisadora Beatriz de Paoli escreveu sobre Creonte e Tirésias. Antígona integra a série Tragédias Completas de Sófocles em edição bilíngue com tradução de Jaa Torrano na Coleção Clássicos Comentados pela Ateliê Editorial associada à Editora Mnema. Acompanham texto grego e tradução, os ensaios de Jaa Torrano e de Beatriz de Paoli bem como um glossário mitológico, aparatos úteis à melhor compreensão da poesia trágica de Sófocles. Além de Antígona, já foram publicadas as obras As TraquíniasÉdipo Rei Ájax (confira aqui). Leia abaixo trechos do texto:

Para Beatriz de Paoli: “A cena entre Creonte e Tirésias pode ser dividida em duas partes. Na primeira, Tirésias chega sem ser convocado pelo rei – o que sinaliza a urgência da situação – e não vaticina, mas fala a respeito do tempo presente. Esse tempo presente de que fala o adivinho – esse ‘agora’ (nyn, Ant. 996) em que Creonte anda no gume da sorte – se coloca entre um ‘antes’ (páros, Ant. 993) – quando o rei não se afastava dos conselhos de Tirésias – e um futuro que permanece velado nessa primeira parte da cena e só será revelado na segunda parte”.

Ela acrescentou: “O embate entre Tirésias e Creonte marca o início da segunda parte da cena e serve não apenas para ressaltar a áte sob cujo domínio o rei se encontra, mas também para precipitar os vaticínios do adivinho. É somente aqui que entra a instância do futuro. Tirésias o revela não por intermédio de sinais divinatórios, mas de seu íntimo (dià phrenôn, Ant. 1060) e o faz não de bom grado, mas em razão do agravo sofrido (lupeîs gár, Ant. 1084). O que ele vaticina de seu íntimo é dito tà akíneta (Ant. 1060): inamovível, inviolável, inalterável, ou seja, aquilo que, uma vez dito, não se pode retirar. Sendo assim, suas palavras são ao mesmo tempo um vaticínio e uma maldição”.

Sófocles (Atenas, 496 a.C. – Atenas, 406 a.C.) é considerado um dos grandes representantes do teatro grego antigo e presenciou o período de maior desenvolvimento cultural de Atenas. Viveu sempre nesta cidade-estado e lá morreu, nonagenário, por volta de 406/405 a.C. É o segundo dos três poetas trágicos canônicos, pois suas obras são posteriores às de Ésquilo e anteriores às de Eurípedes. Foi ainda em vida o mais bem-sucedido autor de tragédias do século V a.C. e os testemunhos antigos atribuem ao autor cerca de 120 tragédias e dramas satíricos, dos quais somente sete tragédias chegaram até nós na íntegra.

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