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LANÇAMENTO: ‘Bibliofilia e Exílio’, de Mikhail Ossorguin – volume 5 da Coleção Bibliofilia

A Ateliê Editorial junto com a Edições Sesc estão lançando cinco obras da Coleção Bibliofilia: Bibliofilia e Exílio, de Mikhail Ossorguin, A Vida Notável e Instrutiva do Mestre Tinius, de Johann Georg TiniusOs Admiradores Desconhecidos de “La Nouvelle Héloise”, de Daniel MornetAs Paisagens da Escrita e do Livro, de Frédéric Barbier, e As Bibliotecas Particulares do Imperador Napoleão, de Antoine Guillois. A Coleção, organizada pelos professores Plinio Martins Filho e Marisa Midori Deaecto, tem textos foram traduzidos pela primeira vez no país, as capas são artesanais, coladas uma por uma com serigrafia inédita e confeccionadas pela Casa Rex (Gustavo Piqueira e Samia Jacintho).

Bibliofilia e Exílio reúne textos de Mikhail Ossorguin, os quais foram coligidos e traduzidos diretamente do russo por Bruno Barretto Gomide. Ao longo de oito capítulos, dispostos em ordem temática, o leitor tem a rara oportunidade de conhecer referências e fatos relativos à história do livro russo, ou mesmo de edições em língua eslava.Mas a leitura pode também ser feita em outra chave: a do autor exilado que encontra um nexo com seu passado e com sua cultura através dos livros.Talvez, o aspecto mais importante dessas experiências no campo da bibliofilia e da bibliomania tenha sido justamente o fato dos livros, aqui compreendidos como o continente e o conteúdo, serem os protagonistas das histórias. Afinal, como o autor nos ensina, os homens vão, mas os livros permanecem. 

Mikhail Ossorguin nasceu em 1878, filho de uma pequena-nobreza de propensões intelectuais e atuação reformista junto ao reinado de Alexandre II. Depois de trabalhar em repartições moscovitas, engrossou as fileiras dos Socialistas-Revolucionários, às vésperas da Revolução de 1905. Pela participação nos preparativos da revolução, redigindo textos, organizando reuniões e dando guarida a companheiros de partido, Ossorguin conheceu a primeira das detenções que amargaria na vida. Solto sob fiança, partiu para um exílio de uma década, passada principalmente na Itália. Ao retornar, em 1916, encontrou a Rússia novamente convulsionada pela guerra e pelas jornadas revolucionárias de 1917. Como a maior parte da intelliguêntsia, Ossorguin encampou a revolução de fevereiro e posicionou-se contra as políticas dos bolcheviques, o que lhe valeu novas temporadas de cadeia, em 1919 e 1921. Em setembro de 1922, ele embarcou, juntamente com mais de uma centena de outros jornalistas, escritores e cientistas rumo a Hamburgo, no que ficou conhecido como “Navio dos Filósofos” (filossófskii parokhód). Alguns de seus companheiros de “Livraria dos Escritores”, como Nikolai Berdiáiev, estavam na mesma embarcação, preparada pelos bolcheviques, com ordem expressa de Lênin, para expulsar do país intelectuais indesejáveis. Ossorguin chegou afinal a Paris, aos quarenta e cinco anos. Faleceu em novembro de 1942. 

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