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PRÉ-VENDA: ‘Orlando Furioso – Tomo II’ e leia uma entrevista com Pedro Garcez Ghirardi, tradutor da obra

A Ateliê Editorial em coedição Editora Unicamp publicam, após mais de 20 anos, o segundo tomo da tradução integral em versos do poema Orlando Furioso, do poeta italiano do século XVI Ludovico Ariosto, feita pelo premiado Pedro Garcez Ghirardi para a Coleção Clássicos Comentados. O livro está em pré-venda (clique aqui) e chega às livrarias a partir do dia 15 de maio. O primeiro tomo, lançado em 2002, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Melhor Tradução e também foi reeditado pelas duas editoras (confira aqui).

Após vinte anos do lançamento do primeiro tomo, Ghirardi, que traduziu ao todo 38.576 versos, distribuídos em 4.822 oitavas-rimas por 46 cantos, apresenta ao leitor a conclusão deste trabalho poético publicado originalmente em 1516, trazendo todas as características de um épico. Segundo Ghirardi: “Cada oitava de Ariosto é uma pequena estrutura primorosa, uma obra-prima em si; é a unidade mínima à qual a tradução deve começar a atender”.

Orlando Furioso junta-se aos monumentos de “Palmeirim de Inglaterra”, dos quatro volumes do Bom Pantagruel, de François Rabelais, de Tirant lo Blanc e da Divina Comédia já editados pela Ateliê. O segundo volume, como no primeiro, será edição bilíngue e terá as ilustrações de Gustave Doré.

A literatura de Ariosto é vasta, mas a sua obra mais famosa é o poema Orlando Furioso, formado por 46 cantos em sua versão final. O texto alcançou grande sucesso. Nele, o poeta ridiculariza a nobreza feudal em decadência, ao mesmo tempo que prenuncia a chegada da Renascença.

Ludovico Ariosto (1474-1533) foi poeta italiano. Filho de um membro do tribunal de Ferrara, estudou Direito, abandonando a carreira para dedicar-se à poesia. Estudou os poetas latinos e a composição de seus versos. A obra de Ariosto é vasta: Poesias Líricas Latinas (1493/1503), Sátiras, peças de teatro etc. Sua obra mais famosa é o poema Orlando Furioso, que seria a continuação de uma obra anterior de Matteo Maria Boiardo intitulada Orlando Enamorado. O poema, composto de 46 cantos em sua versão final, alcançou grande sucesso, por ocasião de sua publicação. Nele, o poeta ridiculariza a nobreza feudal em decadência, ao mesmo tempo que prenuncia o novo homem da Renascença.

ENTREVISTA COM PEDRO GARCEZ GHIRARDI

Pedro Garcez Ghirardi – Professor Titular de Literatura Italiana da Universidade de São Paulo (2006). Mestre (1982) e Doutor em Letras (1987) pela mesma Universidade, onde leciona desde 1980, tendo chegado à Livre-Docência em 1993. Pesquisador na área de Letras e de Tradução (Prêmio Jabuti, 2003, pela Tradução do Orlando Furioso, de Ariosto). Principais campos de interesse: Literatura Italiana – Literatura Comparada – Tradução – Literatura da Imigração Italiana.

Em uma entrevista para o Blog da Ateliê, o titular de Literatura Italiana e professor de Língua Italiana na FFLCH há mais de trinta anos, Garcez Ghirardi comentou um pouco sobre o processo ambicioso de traduzir a obra, o motivo que o levou a trabalhar com o texto de Ariosto,  a distinção no processo de tradução entre um volume e outro, a importância do poema do autor italiano para a cultura mundial e por que ler Orlando Furioso nos dias de hoje. Confira a entrevista abaixo:

ATELIÊ EDITORIAL: Professor, para início de conversa, como surgiu para você a possibilidade de traduzir o clássico de Ariosto?

PEDRO GARCEZ GHIRARDI: A ocasião foi a sala de aula. O entusiasmo da juventude pela obra de Ariosto, nas aulas de Literatura Italiana, convidava a tentar levá-la a um público mais amplo. 


AE: 
Como foi o processo de tradução de Orlando Furioso?

PGG: Em geral, o processo remoto desta tradução se confunde com algumas preferências pessoais, como a leitura constante dos clássicos. Em particular, o que se procurou (não sei com que êxito) foi conduzir o trabalho técnico a resultados que permitissem vislumbrar algo da beleza inigualável do original.  

AE: Poderia destacar o trabalho que os dois tomos tiveram para você? Consegue distinguir o processo entre um volume e outro? Já que teve um intervalo de anos entre os dois livros.

PGG: Nesse período as circunstâncias mudaram: o primeiro tomo podia beneficiar-se da riqueza do diálogo em sala de aula; o segundo, posterior à aposentadoria, teve, em compensação, o estímulo de leitoras e leitores, que relembro com gratidão  Mas o trabalho em si teve o mesmo ritmo, sempre absorvente, a ponto de fazer do tradutor quase colega do eremita da ilha deserta, que surge no final do poema. Hoje gostaria de rever algumas soluções, corrigir pequenas falhas de minha revisão e acrescentar uma ou outra nota – mas não sei se isso ainda será possível. 


AE: Como professor de Literatura Italiana, poderia apontar a importância da obra de Ariosto para a cultura mundial?

PGG: Falar da importância de Ariosto é lembrar leitores como Cervantes, Voltaire e Borges, ou artistas como Vivaldi e Ingres, que se inspiraram em seu poema. Dois obstáculos impediram que o Orlando Furioso tivesse ainda maior difusão, um deles paradoxal: estupenda musicalidade do original italiano (que faz empalidecer qualquer tradução). O outro foi a interpretação até há pouco predominante, que “sequestrava” o tema central do poema:  a loucura, presente desde o título. 

AE: Por que ler Orlando Furioso hoje?

PGG: Neste ano de centenário de Italo Calvino, bastaria remeter às páginas em que o grande escritor contemporâneo nos faz ver a atualidade do poema. Pode-se acrescentar que em poucos, como em Ariosto, encontramos a percepção de algo muito presente na consciência de nosso tempo: a relatividade das perspectivas, individuais ou sociais,  e a necessidade de convivermos com generosidade, apesar de nossos contrastes. Com a generosidade que tantas vezes se manifesta no sorriso e no humor, sempre tão presentes em sua obra. Mas, enfim, Ariosto, como todos os clássicos, oferece descobertas a cada geração que o lê. 

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