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Uma homenagem da Ateliê Editorial ao professor e historiador Frédéric Barbier, falecido no último domingo, aos 71 anos

Frédéric Barbier

Vita brevis, ars longa

            Um dos mais conhecidos aforismos de Hipócrates, popularizado por Sêneca, nos traz sempre a lembrança de que a nossa passagem por este mundo é efêmera, mas a obra que deixamos pode perpetuar-se.

            No último dia 28 de maio, o historiador francês Frédéric Barbier faleceu aos 71 anos. “Homem do Livro”, na acepção mais completa do termo, Barbier pautou sua trajetória nos estudos e pesquisas sobre a história do livro e das bibliotecas.

            Foi pesquisador de renomadas instituições e fundou, em 2005, a revista internacional História e Civilização do Livro, que busca cobrir todas as questões da história do livro, desde a Idade Média até os dias atuais: história social e econômica da edição, história da mídia e da comunicação escrita, bibliografia material, arte do livro, história das bibliotecas, da leitura e dos usos dos livros. No Brasil, sua presença se faz por meio da tradução de suas mais importantes obras: História do Livro (Paulistana, 2009), A Europa de Gutenberg: O Livro e a Invenção da Modernidade (Edusp, 2018) e História das Bibliotecas: De Alexandria às Bibliotecas Virtuais (Edusp, 2019). Era, também, assíduo colaborador da LIVRO, revista do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição, da ECA-USP.

            Da produção mais recente de Frédéric Barbier está As Paisagens da Escrita e do Livro – Uma Viagem Através da Europa, em tradução de Elisa Nazarian, quarto volume da coleção Bibliofilia, coordenada pelos professores Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho, coedição Ateliê Editorial e Edições SESC (no prelo).

            A forma dos livros que praticamos hoje deve-se ao trabalho daqueles que dedicam, desde o século XV, suas “vidas breves” à “longa arte” da impressão, e os estudos sobre a história do livro e das bibliotecas devem a Frédéric Barbier a autoria de páginas fundamentais no Grande Livro do Mundo.

            Merci, Monsieur Barbier!

AS PAISAGENS DA ESCRITA E DO LIVRO – UMA VIAGEM ATRAVÉS DA EUROPA

Nesse livro, o autor nos convida a empreender uma longa viagem através da velha Europa, da planície de Peste à Península Ibérica; das cidades alemãs do Norte, à costa do Mediterrâneo, na Península Itálica e na Grécia.

Se os livros são um produto da humanidade, na mesma medida em que encerram sua memória, a memória do mundo, como se diz hoje, nada mais natural do que perscrutar no espaço as rotas, os rios, os mares, as montanhas, as imbricações, que tornaram possível séculos de comunicações e contatos entre os povos. As catedrais, mas também as paróquias mais distantes, com seus colégios e seminários – e suas bibliotecas – tornam-se, então, os protagonistas dessas viagens. E, em meio a esses vestígios, os leitores, entre nobres, clérigos e as gentes comuns prenhes de conhecimento, de prazer, da fé, enfim, de tudo o que promete e que se encerra dentro de um livro.

Em poucas palavras, a narrativa constitui um modelo notável de geo-história.

(Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho, diretores da Coleção Bibliofilia)

FRÉDÉRIC BARBIER

Frédéric Barbier nasceu na França, em 27 de agosto de 1952, foi bibliotecário e historiador de livros. Frédéric Barbier foi professor da National School of Charters, da University of Lille III e da University of Paris I. Como parte de seus estudos na National School of Charters, Barbier se concentrou na história do livro impresso, sob a supervisão de Henri-Jean Martin. Frédéric Barbier se dedicou ao estudo da biblioteca francês.

Frédéric Barbier dedicou parte de seus últimos anos de ensino na École Pratique des Hautes Études à questão das bibliotecas, com o objetivo de renovar uma questão geralmente dominada pela abordagem nacional e por quantificação.

Escreveu diversos trabalhos científicos e recebeu as honrarias: Prêmio Napoleão III e Prêmio Fundação Napoleão (Segundo Império) de Finanças e Política (1992); Oficial Academic Palms; Doutor honoris causa pela Universidade de Szeged (2011); Doutor honoris causa da Universidade Eszterházy Károly Eger (2017).

COLEÇÃO BIBLIOFILIA

A Coleção Bibliofilia nasce em um momento de profundas mudanças no mundo do livro e do impresso, as quais tocam tanto a produção editorial, quanto as formas de transmissão da linguagem escrita e seus mecanismos de recepção.

Porém, o amor ao livro permanece. Dos colecionadores experimentados aos jovens amantes da leitura, esse amor tem se convertido em movimentos de valorização da bibliodiversidade. Conhecer para valorizar. Valorizar para cuidar e preservar: não poderia ser outro o espírito que guia esses preciosos livros de bolso. Saiba mais aqui.

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