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O poema em prosa de Paulo Leminski, homenageado da Flip-2025

Paulo Leminski será o autor homenageado da 23ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Conhecido por obras como Catatau, que revolucionou a prosa brasileira do século XX, Leminski foi um artista de múltiplas facetas: tradutor criativo, biógrafo habilidoso que retratou figuras tão diversas quanto Trotski e Bashô, judoca faixa preta, publicitário e músico.

Nascido em Curitiba, logo expandiu os horizontes para além da cidade natal através de cartas, viagens precárias e longas conversas telefônicas, estabelecendo uma presença fundamental na cultura brasileira. Colaborou de maneira significativa com a editora Brasiliense e trabalhou em parceria com renomados músicos como Caetano Veloso, Moraes Moreira, Jorge Mautner, Guilherme Arantes e Itamar Assumpção.

Publicado recentemente por Ateliê Editorial e Editora Unicamp, o livro Antologia do Poema em Prosa no Brasil é organizada pelo poeta e professor Fernando Paixão.

Fernando Paixão se lançou ao desafio de traçar as linhas de força desse tipo de escrita na poesia brasileira, do século XIX à atualidade. O resultado surpreende, pois revela um panorama diferente da conhecida tradição. Modelo exaltado pelos poetas simbolistas, foi pouco praticado pelos modernistas e ganhou evidência com os autores da poesia marginal dos anos 1970, quando passou a frequentar sem protocolos os livros de poesia. No século XXI, entrega-se à autoironia e à fragmentação.

Fazem parte da antologia, entre outros, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Ana Cristina Cesar, Lúcio Cardoso, João Cabral de Melo Neto, Mário de Andrade, Angélica Freitas, Roberto Piva, Torquato Neto, Arnaldo Antunes, Nuno Ramos, Cláudio Willer, Haroldo de Campos, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Cruz e Souza, Raul Pompéia e Marília Garcia.

Leia abaixo o poema em prosa de Paulo Leminski que está presente na antologia:

LIMITES AO LÉU

POESIA: “words set to music” (Dante via Pound), “uma viagem ao desconhecido” (Maiakóvski), “cernes e medulas” (Ezra Pound), “a fala do infalável” (Goethe), “linguagem voltada para a sua própria materialidade” (Jákobson), “permanente hesitação entre som e sentido” (Paul Valéry), “fundação do ser mediante a palavra” (Heidegger), “a religião original da humanidade” (Novalis), “as melhores palavras na melhor ordem” (Coleridge), “emoção relembrada na tranquilidade” (Wordsworth), “ciência e paixão” (Alfred de Vigny), “se faz com palavras, não com ideias” (Mallarmé), “música que se faz com ideias” (Ricardo Reis/ Fernando Pessoa), “um fingimento deveras” (Fernando Pessoa), “criticism of life” (Mathew Arnold), “palavra-coisa” (Sartre), “linguagem em estado de pureza selvagem” (Octavio Paz), “poetry is to inspire” (Bob Dylan), “design de linguagem” (Décio Pignatari), “lo imposible hecho posible” (Garcia Lorca), “aquilo que se perde na tradução” (Robert Frost), “a liberdade da minha linguagem” (Paulo Leminski)…

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