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‘O Cantar de Roldão’, por Antoni Rossell

Leia um trecho do Prefácio, assinado por Antoni Rossell, de O Cantar de Roldão, a Chanson de Roland, nova obra publicada pela Ateliê Editorial em coedição Editora da Universidade Federal de Uberlândia. O livro está em pré-venda em oferta especial (confira aqui).

Antoni Rossell – Professor titular de Filologia Românica na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e diretor do Arxiu Occità (Instituto de Estudos Medievais, UAB). É membro associado do Centre Interuniversitaire d’Histoire et d’Archéologie Médiévales (ciham) da École Normale Supérieure de Lyon e atualmente colabora com a Universidade Nova de Lisboa na música da tradição oral hispânica. Publicou inúmeros livros, artigos e gravações, principalmente dedicados à poesia, ao romance e à música da Idade Média. É intérprete de música medieval e diretor do C. Courtly Music Consort.

PREFÁCIO

O Cantar de Roldão canta um trauma coletivo, um luto. Na realidade, trata-se da invenção de um passado que deve ser não só reinterpretado, mas também modificado. E isso tem a ver com quem nos conta a história e que história nos conta.

Numa perspectiva transversal, é essencial estabelecer conexões entre literatura e história, e – embora esta relação esteja abordada tanto no prólogo quanto na tradução de Ronald Costa – também é necessário contextualizá-la na história literária, para a qual, O Cantar de Roldão não é uma obra singular e isolada, uma rara avis, mas faz parte de um conjunto literário de diferentes tradições culturais e linguísticas que coexistiam na época de sua criação, das quais conservamos apenas uma ínfima porcentagem do total produzido e, para o desespero dos filólogos e amantes da literatura e música medievais, desapareceu.

Já foi afirmado que a natureza de O Cantar de Roldão é estritamente poética e não histórica, entretanto, o conteúdo histórico desta obra se refere a Carlos Magno, personagem de grande bagagem e protagonismo histórico, sendo que o cantar de gesta pertence ao “ciclo épico do rei Carlos Magno”. É surpreendente que os protagonistas sejam Roldão e Oliveiros, personagens mais fictícias do que históricas

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O Cantar de Roldão é um texto verdadeiramente oral? Não há dúvida de que se utiliza de um sistema “oral” que forma um andaime formal a partir de recursos orais como fórmulas e repetições, além de uma métrica adequada para cantar textos longos, e típica de cantares de gesta, o que confere ao texto eficiência literário-poética.

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