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Cem anos sem Lima Barreto

Há cem anos perdíamos um dos maiores escritores nacionais, Lima Barreto. Para recordar suas escritas, a Ateliê Editorial publicou duas obras-primas do autor e, em breve, lançará um de seus mais celebrados romances, pela coleção Clássicos Ateliê. Confira abaixo:

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá

A Coleção Clássicos Ateliê publica esta nova edição do romance Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, com texto fidedigno, depurado e estabelecido com o rigor exigido pela metodologia da crítica textual. Um minucioso e lúcido estudo sobre o romance, exclusivo desta edição, é assinado por Marcos Scheffel. Mestre em literatura brasileira, doutor em teoria da literatura, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista na obra de Lima Barreto, Marcos Scheffel, além da leitura analítica e interpretativa de seu ensaio de apresentação da obra, esclarece e comenta aspectos do texto, com proficiência e pertinência, por meio de cerca de quatrocentas notas explicativas. Sugestivas ilustrações do artista plástico Kaio Romero também enriquecem esta edição, com que a Ateliê Editorial homenageia o célebre escritor carioca e, com orgulho, oferece aos leitores. 

Triste Fim de Policarpo Quaresma

Quando este romance estreou, em 1915, nossa literatura oscilava entre o conservadorismo do século XIX e as inovações do XX. Nesse contexto, o personagem Policarpo Quaresma encarna o nacionalismo tardio, uma alegoria de Lima Barreto contra o idealismo romântico. O autor satiriza o presidente Floriano Peixoto e a burocracia estatal, que simbolizam o início da República – celebrada como progressista, mas estruturalmente arcaica.

Recordações do Escrivão Isaías Caminha (LANÇAMENTO EM BREVE)

A Ateliê Editorial oferece mais uma obra-prima em sua coleção Clássicos Ateliê: Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, com apresentação, estabelecimento de texto e notas pelo professor e pesquisador José de Paula Ramos Jr.

Segundo Ramos Jr.: “Em vida, Lima Barreto publicou duas edições do romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha. A primeira, em 1909, pela editora portuguesa A. M. Teixeira; a segunda, corrigida e aumentada, em 1917, pela Tipografa da Revista dos Tribunais, com nova tiragem, no mesmo ano, por A. de Azevedo & Costa Editores. Essa publicação de 1917 serviu de texto de base para a edição que agora se apresenta ao leitor, na Coleção Clássicos Ateliê, pois vem a ser o testemunho da última vontade explícita do autor, portanto dotada de autenticidade, legitimidade e genuinidade”.

A edição Ateliê contém o texto fidedigno do romance, apurado segundo o método rigoroso da Ecdótica, com atualização ortográfica e notas, em favor, sobretudo, do leitor em formação. O protagonista da narrativa, Isaías Caminha, relata suas memórias da infância e adolescência numa cidade provinciana e da juventude no Rio de Janeiro, onde padece fome e humilhações por sua condição de mulato, até que se emprega num jornal de grande circulação, como humilde contínuo que ascende ao posto de jornalista, onde testemunha de modo crítico as relações privadas e públicas de uma elite hipócrita e oportunista. Seus sonhos se desfazem e, desgostoso, após ser nomeado para um emprego público, como escrivão numa província, decide escrever sobre suas experiências como forma de combater os preconceitos de que fora vítima.

LIMA BARRETO

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), mais conhecido como Lima Barreto, foi jornalista, escrevendo também para alguns periódicos anarquistas do início do século XX, e um dos mais importantes escritores brasileiros. O seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o periódico A Semana Ilustrada. A sua mãe foi professora e faleceu quando ele tinha apenas 6 anos.

O viúvo João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como as remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão de mundo do autor. 

Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e expondo as mazelas da República. Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados. Foi severamente criticado por escritores contemporâneos por seu estilo despojado e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas. 

Fiel ao modelo do romance realista, resgatando as tradições cômicas, carnavalescas e picarescas da cultura popular, queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos.

COLEÇÃO CLÁSSICOS ATELIÊ

A Ateliê Editorial realiza a publicação de obras importantes da literatura brasileira e portuguesa por meio da coleção Clássicos Ateliê, com textos e notas de especialistas da área. Já foram lançadas, entre outras, Dom Casmurro, de Machado de Assis, Os Lusíadas, de Camões, O Guarani, de José de Alencar, e O Ateneu, de Raul Pompeia. Clique aqui e confira a coleção completa.

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