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‘Crônicas Efêmeras’, de João do Rio, homenageado da Flip-2024, na Ateliê Editorial

João do Rio, autor homenageado de 2024 na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 10 e 13 de outubro, de quinta-feira a domingo, foi o pseudônimo mais famoso de Paulo Barreto (1881-1921), além de ter sido um dos cronistas mais importantes do início do século XX no Rio de Janeiro.

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Paulo Barreto acabou ficando à sombra do pseudônimo que criou para si, João do Rio. A princípio, seu objetivo ao adotar um nome genérico era permanecer anônimo. Contudo, foi por meio dessa designação que ele se tornou um marco na crônica urbana carioca. Pela primeira vez são reunidos em livro os textos que o autor publicou na Revista da Semana, durante o ano de 1916. Essas crônicas fazem o registro de um período da história do Rio de Janeiro que ficou conhecido como a belle époque brasileira.

JOÃO DO RIO

João do Rio foi o pseudônimo mais famoso de Paulo Barreto (1881-1921), um dos autores mais importantes do início do século XX no Rio de Janeiro. Cronista prolífico, também foi crítico de arte, escreveu romances, ensaios, contos, peças de teatro, conferências sobre dança, moda, costumes e política.

João do Rio trabalhou a vida toda em jornais e revistas. Pioneiro como repórter, criou um estilo de texto híbrido de literatura e reportagem, ficção e realidade. Mudou o modo de fazer jornalismo, fundando a crônica moderna. Na sua observação das ruas e do povo, fez coro com pensadores da passagem do século XIX ao XX que tinham a cidade como centro do pensamento, refletindo sobre o progresso, a velocidade, a formação urbana e toda a dor e a delícia dessa convivência.

O escritor que conquistou uma vaga na Academia Brasileira de Letras aos 29 anos era um personagem múltiplo: fascinado pelos salões da alta sociedade, dividia com o século a reverência por Paris e por um ideal de vida “civilizada”. Ao mesmo tempo, foi o primeiro jornalista a subir o morro ouvindo com atenção e afeto a voz das ruas, tornando-se uma espécie de porta-voz de um povo que não tinha espaço na imprensa.

Quando deixa a redação do jornal para subir vielas, acompanhar manifestações culturais, observar de perto os hábitos de uma cidade que se transformava vertiginosamente, João do Rio fundou um modo de fazer jornalismo, numa espécie de etnografia pulsante, revelando ao leitor do jornal uma cidade que lhe era desconhecida.

Ao mesmo tempo, leitor atento e receptor das modas europeias, foi o mais fino cronista da Belle Époque carioca, narrando os salões e recepções elegantes da alta-roda – a elite que tentava se sofisticar e imitar os estrangeiros.

João do Rio percorreu o mundo, colecionou admiradores e desafetos. Gordo, mestiço e homossexual, vestia-se como um dândi, arrumava brigas e nunca passava desapercebido. Vítima de um ataque cardíaco que o impediu de completar 40 anos, ele deixou 25 livros e mais de 2.500 textos publicados em jornais e revistas.

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