O Cantar de Roldão: Nota do tradutor Ronald Costa
As glosas na tradução vão marcadas com itálico a fim de que o leitor possa experimentar a prosódia do cantar na leitura, seja silenciosa, seja em voz alta; não se deve, portanto, escandir as sílabas assim marcadas. As exceções desse procedimento tipográfico estão guardadas às sinalefas e sinéreses, por comuns que sejam na escansão. Os comentários e notas de rodapé seguem a numeração dos versos a que se referem e são de naturezas diversas: anotamos questões do processo de tradução e paleográfico, apontando os desafios que nos oferece a leitura do manuscrito e do idioma, sempre em perspectiva comparativa da tradição filológica europeia e nunca em hipótese unívoca; procuramos esclarecer alguns sentidos menos óbvios de vocabulário específico e esclarecer ou apontar hipóteses topográficas; comentamos os aspectos literários considerados mais relevantes na obra e em relação a ela, mas que nem sempre estão advertidas já na primeira leitura; e, finalmente, anotamos como tradução literal (trad. lit.) cada verso que, por razões métricas, rítmicas e/ou de assonância, se afaste minimamente da dimensão semântica da língua de origem.

Versos de legibilidade comprometida e/ou leitura e tradução controversa entre os editores do cantar estão fac-similados, a fim de que leitor possa cotejar as soluções de transcrição e tradução adotadas com o que apresenta o manuscrito. Esperamos, assim, oferecer ao leitor um material com o qual se poderá fazer, tanto um estudo lento e atento às autorreferências e comentários, como uma leitura corrida, ou mesmo uma experiência de canto ou recitação de versos que resgatem tradições e historicidades, e preservem integralmente o material lendário original.
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