Comunicados Lacônicos
Autor: Antonio Lizárraga
R$ 67,00
Assunto: Literatura brasileira, Poesia
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Do deslumbramento à denúncia; da reminiscência ao grotesco. Argentino naturalizado brasileiro, Lizárraga mistura registros da memória, momentos de relance e anotações cheias de ironia. Da infância, ele faz um laboratório para produzir uma forma imaginária de realismo, perturbadora e necessária. Com uma sátira perversa, ele expressa o desencantamento com a vida administrada e a falsa sentimentalidade. “São fragmentos cheios de ecos e insinuações”, segundo Vilma Arêas, autora do prefácio.
Descrição
Descrição
O Construtor de Mirantes — Vilma Aréas
Comunicados Lacônicos
- dentro da chuva aprisiono palavras
- uma revoada de estrelas
- quando criança usava o tempo
- quando era criança
- caramujos
- obscena vegetação limítrofe
- cais flutuantes
- quando meu corpo ama
- no bojo do pelicano
- encurralado entre rolos
- sobre campos adestrados
- o caracol arquiva em espiral
- ocultos no tubo gelatinoso
- o rádio de pilha não funciona mais
- born in South America
- existem fortes indícios
- o café adormece na xícara
- no corpo tatuado de orgasmos
- escorando uma cama de teto
- as baby-sitters beijavam-se
- sul / sud / sur
- de costas para a arquibancada
- quando o sol desfolha as árvores
- homens cheirando a capim
- o caracol está com frio
- Betty Boop ingeriu um filho
- nos prédios engavetados
- sofrendo pesadas baixas
- a bomba de gasolina acordou
- o general monógamo
- frondosa matriarca
- peixes subterrâneos nadam
- o ruído
- os relógios de ponto
- entre manequins de tendência feminina
- gravador de teclas desiguais
- mulheres com sabor de caramelo
- noite sem fuso horário
- adolescentes excêntricos
- numa praia
- Godot chegou cedo
- helicópteros de fabricação inédita
- à minha frente
- homens simultâneos correm
- o último vagão
- o vaga-lume
- o serviço meteorológico
- Cubatão
- retratos prêt-a-porter
- refugiados
- pardal autodidata
- cada paralelepípedo tem seu lar
- depois de redatar seu corpo
- o domingo acorda explodindo
- permite-se a permanência
- o grito de gol suicida-se
- estuário de águas enrugadas
- radar clandestino localiza
- o primeiro gol custou três vinténs
- sobre o aterro de amebas melindrosas
- devemos prestigiar a dignidade
- educadora equipada com dedos apáticos
- a tarde ficou de joelhos
- a mãe adotiva de Adão
- ninfeta de masculinidade a toda prova apresenta
- resíduos de ruas atropelam-se
- dia a dia mudo de lugar
- lacônico comunicado
- gotas de poliéster
- durante o desbravamento
- de pé
- existem tênues galerias
- na promiscuidade plana das estradas
- existe um chafariz
- encostada num tendão de luz
- Malta / Valleta
- as velhas árvores
- no domingo untado de sol
- nas sombras da praia
- bidê voraz
- ancas urbanas
- um desconhecido anônimo
- na banheira continuo
- a tabuleta que proíbe
- entrevistando famílias
- o dia reinicia
- quando o medo tem fome
- o vasilhame da massa de tomate
- existe um homem que constrói mirantes
- com os sobreviventes
Sobre o Autor
Agradecimentos
Informação adicional
Informação adicional
| Peso | 0,510 kg |
|---|---|
| Dimensões | 14 × 21 × 1,2 cm |
| ISBN | 978-85-7480-402-6 |
| Páginas | 120 |
| Edição | 1ª |
| Ano | 2008 |
| Encadernação | Capa dura |
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