Com a Palavra n.40: Organizadora explica o percurso editorial de ‘O Seminarista’
A Ateliê Editorial publica mais uma obra-prima da literatura de língua portuguesa em sua aclamada coleção Clássicos Ateliê. O livro em destaque é O Seminarista, de Bernardo Guimarães, com apresentação de Luana Batista de Souza; e estabelecimento de texto e notas também por Luana Batista de Souza e José de Paula Ramos Jr.
O mais curioso de O Seminarista é que existem duas versões do texto: uma completa e outra abreviada. Silvio de Almeida Toledo aponta isto no texto de orelha do livro: “Diante desse quadro, um leitor que hoje venha a se deparar com exemplares de uma e de outra versão do texto, ficará em dúvida: entre as duas, qual será a versão genuína? A resposta é dada por esta edição”. E continua: “Nela encontramos o texto da obra tal como Bernardo Guimarães o viu ao ser publicado em sua primeira edição”.
Como já é de tradição da coleção, a versão da Ateliê Editorial acompanha uma apresentação peculiar escrita por Luana Batista de Souza sobre a vida e obra de Bernardo Guimarães que, além deste O Seminarista, também publicou outro clássico, A Escrava Isaura.
Segundo o mesmo texto de Toledo: “A origem desta edição remonta à tese de doutorado defendida por Luana Batista de Souza em 2017, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo”. E complementou: “A pesquisa examinou em pormenor a trajetória editorial de O Seminarista. Constatou a existência de duas versões diferentes do texto […] O resultado mais recente de pesquisa então iniciada é este volume, preparado por Luana Batista de Souza em colaboração com José de Paula Ramos Júnior”.
Neste número, os assinantes leram com exclusividade um trecho da apresentação em que Luana Batista de Souza explica a história editorial de O Seminarista.
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HISTÓRIA EDITORIAL – por Luana Batista de Souza
Devido ao sucesso alcançado no período, O Seminarista foi publicado em 1875 pela mesma casa editorial. As edições de 1872 e 1875 são as únicas publicadas em vida do autor, o que indicaria que foram as únicas realizadas sob sua chancela. Ainda no ano de 1872, Bernardo Guimarães publicou O Garimpeiro e Histórias e Tradições da Província de Minas Gerais, também pela editora B. L. Garnier.
Ao analisar as duas edições de O Seminarista publicadas em vida do autor, é possível constatar que a segunda é a reedição da primeira. São idênticos os erros tipográficos, a mancha e a composição do livro. Se os erros são os mesmos, isso significa que foi utilizada em 1875 a mesma matriz tipográfica de 1872. Há apenas alterações na folha de rosto (uma nova é impressa) e na listagem de obras do autor publicadas por B. L. Garnier, que vem no verso da folha de guarda. Na edição de 1872, lê-se na listagem de obras de Bernardo Guimarães, Cabeça de Tira-Mentes, que é corrigido na edição seguinte ([1875]: Cabeça de Tira-Dentes). Todo conteúdo do livro, no que se refere ao texto, inclusive paginação, é idêntico. As edições trazem apenas o texto, sem introdução, prefácio ou índice.
[…]
Desde a sua primeira edição, O Seminarista alcançou relativo sucesso entre o público leitor, como pode ser atestado pelas edições publicadas até os dias de hoje. No mercado editorial brasileiro, é possível encontrar edições com a redação completa e com a abreviada, sem qualquer menção às diferenças textuais, além da adaptação da obra para história em quadrinhos. A redação completa é publicada, com algumas alterações referentes a datas, por exemplo, ao longo da sua transmissão. A redação abreviada tem início com a edição da Civilização Brasileira, em 1931. Esta redação abreviada continua sendo publicada também com algumas alterações ao longo do tempo. Diferentemente de muitos romances publicados durante o século XX, O Seminarista não lançado inicialmente em folhetim; sua primeira edição sai em livro no ano de 1872, publicada por B. L. Garnier, em sua Typographia Franco-Americana, no Rio de Janeiro.

COLEÇÃO CLÁSSICOS ATELIÊ
A coleção Clássicos Ateliê tem como objetivo revisitar os cânones da literatura de língua portuguesa, adicionando comentários de críticos especializados com textos introdutórios, ilustrações e notas.
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