Conheça a história do livro de bolso aldino
No livro Aldo Manuzio, Veneza e o seu Tempo, que está em pré-venda no site da Ateliê Editorial, o jornalista e escritor Alessandro Marzo Magno destacou a importância do trabalho de Manuzio na evolução do livro, principalmente em transformar a leitura em prazer.
O livro pequeno cria uma verdadeira mudança de época: altera o modo de ler e varia a motivação que conduz à leitura. Antes do livro de bolso aldino, os livros eram lidos, sobretudo, para fins de instrução ou por trabalho. Entre os que tinham necessidade de aprender pelos livros havia, sem dúvida, os alunos das escolas e das universidades, mas também os que pertenciam a algumas categorias profissionais, como os homens de leis, os médicos e também os cozinheiros, dada a difusão dos livros de receitas.
Os usuários dos livros para fins de trabalho eram, sobretudo, os religiosos: ler preces e passagens litúrgicas era (e ainda é) uma das atividades do homem da Igreja; mas pensemos também no citado monge que lê em voz alta no refeitório enquanto os confrades comem, nos frades dominicanos que examinam os livros para verificar a sua ortodoxia e, conforme o caso, censurá-los, ou nos prelados da Sagrada Congregação, da romana e universal Inquisição, que redigem o Index Librorum Prohibitorum.
Lia-se pouco por lazer, por passatempo. O livro pequeno, ao contrário, permite este tipo de abordagem: empregar o tempo livre na leitura. Não é uma dedução a posteriori, é o próprio Aldo a destacá-la. O efeito colateral, como ficou dito, que também continua vivo nos nossos dias, é o nascimento da leitura silenciosa: o livrinho, que se tem na mão, não é declamado em voz alta, ao contrário, é lido na intimidade e, por consequência, em silêncio.

Antes de Aldo, quase ninguém lia por passatempo, porque não havia o objeto capaz de permiti-lo: o livro pequeno para levar consigo. Hoje, lemos como Manuzio nos ensinou. Passaram-se quinhentos anos e, ainda, usamos um objeto que Aldo nos pôs na mão e o utilizamos do modo como ele próprio sugeriu. A força demolidora da inovação aldina viajou no tempo e não se sabe até quando o fará. Poderá mudar o suporte – de papel ao eletrônico –, mas o prazer de ler que Aldo nos legou permanecerá.
COLEÇÃO INVENTORES DE LIVROS
A coleção Inventores de Livros pretende resgatar a vida e obra dos pioneiros da tipografia e da impressão, ao render homenagem aos grandes tipógrafos e editores que possibilitaram a difusão da cultura e mudaram o mundo como o conhecemos: Aldo Manuzio, Johannes Gutenberg, Christophe Plantin dentre outros. Sob a coordenação de Plinio Martins Filho e com edição, notas e projeto gráfico de Gustavo Piqueira, a coleção traz referências, textos e imagens sobre os parâmetros fundamentais que embasaram a arte tipográfica e que ainda se encontram presentes nos livros de hoje.
O primeiro volume O Inventor de Livros: Aldo Manuzio, Veneza e seu Tempo traz a vida e obra do tipógrafo italiano que, além de estabelecer inúmeros procedimentos tipográficos que servem de modelo até nossos dias, desenvolvendo como poucos a arte da impressão de livros, foi também o primeiro a exercer o papel de editor como conhecemos hoje.