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Morre o poeta e ensaísta Aguinaldo Gonçalves, aos 74 anos

 

Sombras vãs nestas vãs paragens dos dias
Em cachos mornos de cerúleo traço
Recompõe na analogia a ilusão do tempo
E decompõe no sonho a dimensão do mito.
Mesmo na imagem crespa da cor e do perfume
Mesmo no recomeço deste tato e deste sentimento
Antigo. Mesmo assim as sensações disformes
Se amalgamam no extremo; no princípio inerte.

– tempo selvagem destilador de limalhas, do livro Nove Degraus para o Esquecimento

Faleceu, na última segunda-feira, 15 de julho, o escritor, poeta, professor e pesquisador Aguinaldo Gonçalves, aos 74 anos. Ele estava internado no Hospital de Base de Rio Preto. A Ateliê Editorial lamenta a morte de um dos maiores intelectuais do país.

Aguinaldo José Gonçalves publicou em áreas diversas da Literatura, com ênfase na Intersemiótica, nas relações homológicas entre palavra e imagem. Foi professor titular da UNESP e da PUC Goiás, atuando nos cursos de Mestrado e Doutorado em ambas instituições. Palestrante e conferencista nacional e internacional de temas abrangentes: literaturas e artes, entre outros.

Sua trajetória acadêmica passou pela Livre-docência pela UNESP (1997). Doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada), pela Universidade de São Paulo (1988). Graduação em Letras, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras São José do Rio Preto/ SP (1972).

Pela Ateliê Editorial, publicou os livros Vermelho, de 2000, com prefácio de Arnaldo Antunes e orelha de João Alexandre Barbosa, Nove Degraus para o Esquecimento, prefaciado por Susanna Busato. Além de Signos (em)Cena, em que propõe uma reflexão sobre os seus dois processos de escrita: o ensaio e a poesia.

DOAÇÃO DE ACERVO PARA SUA CIDADE NATAL

Em 2021, aos 72 anos, Aguinaldo Gonçalves doou a sua biblioteca particular, com mais de 3 mil títulos, assim como seu acervo de obras de arte para a sua cidade natal: Buritama. O local em que estão sua coleção leva o nome de Acervo e Pinacoteca Prof. Dr. Aguinaldo Gonçalves.

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